allmylittlewords

30.3.06

A Angelica mandou convidar. Se eu pudesse, eu ia. Angie e incrivel. Minha outra menina dos olhos.

Voce pagaria R$ 7 numa Brahma?

E na segunda, FINALMENTE, eu e Mario mudamos para nosso pseudo-Dakota Building, com nossa vista pro lado errado do Castelo (que ainda assim e fodida, mesmo com neblina, como hoje). E a cozinha, meu territorio ja demarcado com urina imaginaria, e minuscula, mas FOFA e com janela. Porque tem cozinha sem janela aqui. Um horror. Mal vejo a hora. Eu e ele, apesar da legiao de boa vontade que temos, sentimos que nossas personalidades estao totalmente suprimidas por conta de presencas paternais e maternais. Eu nao me acanho com minha mae por perto. Alias, minha mae e a pessoa com quem eu sou 100% eu, porque a coitada consegue me amar mesmo assim. Mas Mario diz que se retrai com os pais por perto. E eu me retraio porque eles nao sao meus pais... Logo...

Espero rapidamente encontrar meus nortes: um supermercado fofo, livrarias meigas, uma floricultura fofolete, acougue mimoso, uma nova acadimia e um point de viados, porque eu nao vou conseguir ver futebol na televisao por muito tempo. haha. Nao ha amor e cutis que aguentem. SOCORRO.

29.3.06

Surpreso a quanta terra
não me pertence, que
engraçado descobrir (mais
uma vez) que trocar de país
não significa trocar de corpo
e a mudança
de língua
é acompanhada pela permanência
da produção da
mesma saliva.


Menino dos meus olhos, aqui.

21.3.06

Se estiver na Canal Street em Manchester e quiser entrar em um dos clubes, tenha o cuidado de parecer gay. Mesmo se for... hahaha: 'Sorry, sir, you don't pass the gayness test'.

20.3.06

Ando experimentando com a ordem, na medida do possivel. Primeiro viciei em fazer listas. Agora eu malho, um verbo inexistente na minha gramatica ate entao, e procuro piorar meu sofrimento a cada dia, pelo qual sou recompensada por endorfinas ou seja la qual for o bagulhinho que me faz sentir foda.

Ha alguns dias tambem inclui mais dois habitos que precisam ser repetidos mecanicamente em horarios fixos. Um antes de dormir e depois de acordar, ainda em jejum (muito importante). O outro antes que eu ponha meus pes fora da cama. E o pior de tudo e perceber que voce esta se transformando em seu proprio rato de laboratorio. A parte cientista do meu cerebro realmente espera ansiosamente por estas horas do dia e - a longo prazo - pelos efeitos da experiencia.

haha. Medomedomedo. As pessoinhas dentro de mim estao virando um The Sims fora de controle. Haha. Putada. Vou sentar pra ver.

Douglas Coupland "entrevista" Morrissey aqui. Uma leitura bem mais decente do que o texto besta da NME. Me irritou tanto que eu nem lembrei de comprar a edicao seguinte com a parte II e bombastica prometida.

E isso aqui e engracado: Yes, you can judge a bloke by his cover. Haha. Sem muita masturbacao mental, nem culpas, eu teria escolhido The Secret History tambem.

17.3.06

E o Oriente Medio is the new black, nao e mesmo minha gente? Fale a verdade. Tanta explosao, atentado e violencia que ja passa batido. "Carro-bomba mata 35 pessoas? Ok!". E o mesmo que ouvir "Choque entre tribos/Nova epidemia mata 200 mil africanos". Ah, mais um. (A Africa deve ser a maior fabricante de almas descartaveis do mundo).

Dai tem o Ira. A mais nova face do mal. Mas outro dia a imprensa daqui fez o favor de mostrar o lado "humano" dos iranianos. Porque afinal de contas eles tambem sao gente. E sao mais adestrados que palestinos e iraquianos. Nao e mesmo?

Entao eu fiquei sabendo que o Ira e a capital mundial de nose jobs. Uma verdadeira limpeza etnica que vitimiza as mulheres locais. Um dos maiores acougueiros da area concedeu uma entrevista. Cara de pau. Ele sim tinha um nariz NOJENTO. Ele sim merecia uma senhora rinoplastia. Dai corta pra uma iraniana-e-coitada cujo nariz foi substituido por algo menos cubista por insistencia do marido. Ela mesma dizia estar contente com o nariz que ganhou ao nascer. Medo.

Mais medo ainda quando o reporter disse que a mulher-modelo no Ira e ninguem menos que J.Lo.

16.3.06

Adoro os nomes dos tipos de depilacao chavascal oferecidos aqui. No Brasil todo o negocio e mais simples (Virilha: cavada/completa). Nao e? E ainda nao entendi que cacete e Brazilian wax. Me faz ter medo da depilacao tradicional praticada por aqui. Ja vi uns flashes no vestiario da academia e fiquei com MUITO MEDO. Claudia Ohana nao seria julgada. Nem a Carla Camurati. Nem a Vera Fischer.

E uma amiga minha que mora em Nottingham disse que as mulheres aqui mal encostam em voce quando te depilam. Hahaha. Entao como? Ai, vou abrir uma filial da Vanessa aqui, com aquelas tias supersimpaticas e blase com anatomia alheia. Que puxam o cerao, dao um tapinha e depois passam talco.

Ah, e. Olhe o preco. Ja me disseram pra ver tudo em seu contexto aqui, mas nao consigo. Nao nesse aspecto.

13.3.06

Caralho, Adriasna. Voce me mata de rir. A do momento e O Caxa e o Rei da Rua.

12.3.06

Ah e! Hahah E veja o tipo de exportacao subnutrida que o Brasil tem feito aqui. Mifu.

E enquanto Mario, o Hetero, assiste ao seu time jogar (e que nao ganha um campeonato ha 104 anos - quatro monarcas e duas guerras mundiais nesse interim), eu tiro meu atraso guei ciberneticamente. E ganho presentes em forma de MP3: Postal Service, Les Rythmes Digitales, Madonna, Vashti Bunyan. Saudades, beeshas.

Primeiro aniversario longe de casa, ontem. E obveo que eu chorei quando a minha mae ligou. Nao sei de que material ultra-resistente a porra do meu cordao umbilical e feito. Nao corta! E fez frrriiio. Nada de chuva, como de costume. Mas um frio amargo que se materializou em nevasca hoje (vide abaixo, nada canadense, though). Entao eu e Mario fizemos um estocao de comida. Fomos ate um cheesemonger incrivel perto de onde a gente vai morar e compramos queijos otemos pra fazer fondue, sem a panela especial, so no truque. Fumamos um cachimbo da paz e nos dedicamos a orgia da comida. E passou The Breakfast Club na TV? E eu pensei que velha preguicosa eu to virando, mas foda-se. Comemoracoes etilicas mais tarde. A comida nao deixou espaco pro alcool.

E quando a gente mudar (em duas semanas, uhu) Mario diz que vai beber pela Escocia inteira. Eu devo beber pelo Brasil. Lembrando que a Escocia e um pais de alcoolatras, acreditamos que sera o mesmo que tomar um copo por cada um dos mais de 170 milhoes de brasileiros.

Ganhei do Mario um tapete de yoga. Agora nao preciso me esparramar no suor dos outros. Ele me deu tb o ultimo do Kazuo Ishiguro (mas eu tenho que terminar The Bell Jar antes). Ganhei um par de sapatos que ainda vou comprar e minha mae liberou uma grana tb. Super quero mais listras no meu guarda-roupa. E uma bermuda que eu nao comprei no Brasil, num momento super visionario. E uma caixa com 4 filmes do Peter Sellers.

E cortar cabelo aqui custa £ 25 no minimo. E £20 pra fazer a unha. Meu cu! Eu pagava o equivalente a £2, e ainda tiravam a cuticula.


Perto do queijeiro e do ape bundalele-to-be, tem essa loja. Hahaha.


Hoje amanheceu assim. E escoces joga futebol num tempo desses. Hahahah.


Hahaah essa foto e TAO idiota que eu tenho que dividir com o resto do mundo. Pus uma mascara de lama na cara e esqueci... A bagaca comecou a repuxar tanto que quando eu vi, funcionou tipo BOTOCAO (um super botox) na minha cara. Cuenda a boca! E olho. Juro que nao alterei o tamanho de nada. HAHAHAHAHAHA. Idioooooooota. Hahahah

8.3.06

Mas enfim... mesmo alquebrada me arrastei ontem para o centro da cidade (pra onde eu me mudo ja ja) para ver uma banda chamada My Latest Novel. Eu nao tenho muita paciencia para bandas cujo nome comece com My... pos-My Bloody Valentine. Pra ser exata, mais agora. E a banda foi definida como "postrockindiefolk", o que nao diz nada para mim.

Mas com algumas pistas tipo: B&S + Nick Cave + Velvet Underground + Arab Strap + a supracitada maldita namorada, eu resolvi dar uma olhada, ne? Alguem tambem disse Tindersticks. Pensei mais nos fatores e menos na soma. E olha viu, apesar de mal me aguentar em pe de tanta dor e querer estapear uma vaca bebada dancarina mala, eu gostei muito. Tio Mario disse que nao conseguiu se livrar de sua visao de professor e percebeu umas falhas na violinista. Nada que eu ou voce perceberiamos, mind you. Achei o som poderoso, sinistro uma porcao de vezes. Foda. Prontinho.

Diz-que a banda e uma dos best kept secrets da cenindie escocesa que agora vaza. Va savoir. Eu gostei. La no site deles tem um MP3. E no myspace tem mais. Menos a musica que eu gostei mais: When we were wolves.

Uber-trendy e uma palavra uber-trendy.

(sem tremas por aqui, ainda. ARGH!)

7.3.06

Cara, aula de ioga em escoces e foda. Primeiro porque eu sou novata para iyvengar yoga. Segundo porque o cara nao traduzia asana nenhum. Terceiro por causa do sotaque e meu conhecimento nao tao grande do nome de todos os musculos do corpo humano em ingles. E meio complicado fazer seu cerebro funcionar de ponta cabeca.

Eu estou simplesmente destruida, torcida, triturada. haha. Como era bom meu kundhalini.

Mas vamos tentar de novo.

Um dos curtas era um filme islandes, de um velhote que nao poderia viver sozinho. Ao enterrar a esposa, ele se enfia no buraco rapidinho (antes que a familia addams dele chegasse) e puxa uma cordinha. Toda terra cai por cima deles. Silencio sepulcral no cinema.

Quebrado, segundo o Mario, so por mim, com um sincero e apavorado "Jeeeeeesuuuuuuus".

6.3.06

Eu nao vi o Oscar, um certo ritual quebrado. Mas tambem, sem as tias Kubrusly e Rubens (ou sem a opcao de ignora-las) nao seria a mesma coisa. Em compensacao eu fui com o Mario ao Cameo, o cinema mais legal de Edimburgo, para ver os concorrentes a melhor curta-metragem. Our Time Is Up and Cashback pra mim foram os melhores. Ausreisser achei uma bobagem. Mas quem ganhou foi o irlandes Six Shooter. Humor negrissimo. E um sotaque que eu nao consegui desvendar muitas vezes. Mas tudo bem, porque o proprio Mario diz que tambem nao entende os irlandeses o tempo todo.

O Cameo esta a venda. Quase virou um grande pub/restaurante, mas conseguiram banir o projeto e esperam que os proximos donos mantenham o lugar. Parece que o Quentin Tarantino amou o cinema... Entao... por que nao faz a caridade? haha. Save the Cameo.

5.3.06

Manolo era todo un macho de pelo en pecho
pero estaba algo cansado,
estaba harto de su sexo...
asi que se afeito y se depilo
y ahora Manolo es toda una mujer
desde que va por el lado de la vida mas salvaje
-si Manoli-
por el lado mas salvaje de la vida.

Angelica
, you made my day. Hahah. VICIEI.

Anteontem.

(as coisas nao mudaram tanto assim. Nada de aguas de marco, mas gelos de marco).


La fora.


Arrependida de Converse.


Inguinorante da etiqueta para neve, aguei o carro. (O negocio e: bata seus calcanhares tres vezes e deseje estar em Kansas).



Essa e velha, tem uns 10 dias, mas lembrei de voce, Anna Ligia, e sua obssessao por girafas (Leith, Edimburgo).

Entao a pedidos do meu querido Antonio, uma peste que me atormentava na escola e que mais tarde transformou-se numa jacira louca (toque de midas meu ou muita coincidencia?)... ai vai. E longo, mas voce vai se identificar... ou identificar pessoas.

A Lenda das Jaciras
Psico-Antropologia Fake

(Caio Fernando Abreu)

Reza não muito antiga lenda que homossexuais masculinos de qualquer idade ou nação – além bofe, bicha, tia ou denominação similar – dividem-se em quatro grupos distintos. Seriam na verdade, sempre segundo a lenda, quatro irmãos que atendem por nomes femininos. A saber, e essa ordem arbitrária não implica cronologia nem preferência: Jacira, Telma, Irma e Irene.

Para começo de conversa, vamos à mais popular delas: a Jacira. Suficientemente conhecida, seja pelo personagem Jaci (que no romance Onde Andará Dulce Veiga?, de minha autoria, em dias de arco-íris recebe uma Oxumaré de frente e transforma-se na devastadora Jacira) ou pelos louváveis esforços do jornalista Eduardo Logullo em divulgá-la através da coluna Joyce Pascowitch, na Folha de São Paulo. Das quatro irmãs, Jacira é aquela que todo mundo sabe que é homossexual, e ela mesma – que refere-se a si própria, seja qual for seu nome, sempre no feminino – acha ótimo ser. A Jacira usa roupas e cores chamativas, fala alto em público, geralmente anda em grupos de amigos também jaciras como ela, todas exercendo o velho hábito de "fechar". Como diria Antônio Bivar, é uma pintosa. Uma pintosa assumida, despudorada. Sempre foi bicha, adora ser bicha e, maniqueísta como ela só, continua achando que a humanidade divide-se entre bofes e bichas, categoria esta última na qual se inclui. Com orgulho. Superinformada, embora não leia muito (existem Jaciras nigrinhas, analfabetas), ela sempre sabe – de orelhada – tudo que está em cartaz na cidade. Fofocas que insinuam viperinas dubiedades sobre a sexualidade alheia. Ao entrar em qualquer ambiente, uma Jacira sempre é imediatamente notada. O que satisfaz seu principal objetivo na vida: aparecer.

Bem menos luminosa e mais sem graça que a Jacira é: a Telma. Seu nome provavelmente originou-se daquela versão que Ney Matogrosso cantava: "Telma eu não sou gay/ o que falam de mim são maldades", algo assim. Ao contrário da Jacira, a Telma é infelicíssima. Ela bebe. Bebe para esquecer que poderia ser homossexual. O problema é que, exatamente quando bebe, mais exatamente ainda depois do terceiro ou quarto uísque, é que a Telma transforma-se em homo. Embriagada, Telma ataca. E dramaticamente na manhã seguinte não lembra de nada. Aquela Jane Fonda de The Morning After perde. Embora a Telma fique muito erotizada em estado etílico, ela sempre nega que é, e negará até a morte. A única solução para uma Telma empedernida seria a psicanálise (que ela, a mais doente, acha que não precisa) ou parar de beber. O que, por tabela, significaria também parar de trepar. Pobres Telmas – categoria da qual países como o Brasil (vide academias de ginástica, futebol, chopadas com o pessoal da repartição, etc.) está cheio.

Menos trágica, mas ainda mais complexa, é a terceira irmã: a Irma. As Irmas não são exatamente infelizes – pelo menos, não tanto quanto as Telmas, embora bem menos felizes que as Jaciras – que aparentam ser e realmente são felicíssimas. Irma é aquela que todo mundo jura que é, incluindo a mãe, a irmã e a esposa (Irmas casam muito) – mas ela mesma não sabe que é. Não sabe ou finge que não. A Irma dá quase tanta pinta quanto a Jacira, adora todo o folclore gay, de Carmen Miranda a show de travesti, passando por concurso de miss, Mae West, leopardos, James Dean e Marilyn Monroe. Estranhamente não "faz". Quando solteira ninguém de sexo algum poderá afirmar – muito menos provar – que já fez sexo com uma Irma. Ou se fez, não prestou muito, pois há quem diga que Irmas costumam ser maldotadas, impotentes, dessas assim. Pode ser. A verdade é, quando casadas, as esposas das Irmas raramente apresentam um ar satisfeito. Sexualmente satisfeito. Irmas costumam ser afáveis – ao contrário das problemáticas Telmas, introvertidas e depressivas. Adoram Jaciras, apesar destas gostarem de chamá-las, sobretudo em público e aos gritos, de "queridas". É que toda Jacira sabe – ou supõe – que no fundo toda Irma é tão Jacira quanto ela. Mas como as Telmas, Irmas fogem de definições. E ao contrário das Telmas, muito pecadoras, podem até morrerem sem se atreverem a provar os prazeres do – para citar uma Jacira clássica – amor que não ousa dizer seu próprio etc.

Inicialmente limitada a essas três, a lenda recentemente incluiu a existência de uma quarta irmã: a Irene. Tão assumida quanto a Jacira, ao contrário desta, a Irene não dá pinta. Ela é, sabe que é, mas não exibe nem constrange. Pode até usar brinquinho na orelha, dar alguma rabanada menos comedida, ou mesmo – de brincadeira – referir-se a si mesma ou uma amiga no feminino. Mas a Irene é tranqüila. Geralmente analisada, culta. Bom nível social, numa palavra – Irene parece serena em relação à própria sexualidade. Que é diversificada. Podem ter longos casos, morar junto, ou viverem certas idiossincrasias eróticas. Só gostarem de working class, por exemplo, ou de adolescentes, choferes de táxi ou estudantes de Física. Ou de Irenes como elas: são as Irenes lésbicas, bastante comuns e conhecidas, literalmente, como gays. Telmas e Irmas escondem tudo da família, vizinhos e colegas, embora a Irma não tenha nada a esconder. Jaciras não escondem coisa alguma, explicitérrimas. Irenes deixam no ar: se alguém perceber, que perceba. Educação é básico para elas. Serenamente educadas, pois, às vezes até casam. Com mulheres.

Entre as quatro, desgraçadamente as relações são turbulentas. Jaciras, por exemplo, adoram seduzir Telmas. Estas (quando sóbrias, claro) têm medo pânico de Jaciras. Irenes por sua vez, nutrem uma espécie de carinho apiedado pelas desventuradas Telmas – e isso pode até resultar numa ardente noite de paixão entre ambas. Da qual naturalmente a Telma jamais lembrará, embora tenha feito horrores. O grande risco que toda Irene corre é apaixonar-se por uma Telma: comerá o pão que o diabo amassou, até entrar noutra. Com a Irma, de quem Irene também gosta, o risco não é tão grave: Irenes sabem que com Irmas não rola. E pode assim transformar tudo numa aparentemente saudável "amizade viril": as duas fingindo, para usar a terminologia antiga, que são bofes. Há quem creia.

Jaciras não simpatizam muito com Irenes, acham-nas "metidas". A recíproca também é verdadeira Irenes acham Jaciras pintosas demais, apesar de divertidas, folclóricas. E inconvenientes. E com a imperdoável mania de roubar namorados alheios. Irenes adoram namorar, pegar na mão, ir ao cinema, comer pizza, fim de semana em Ilhabela, ver TV – tudo isso together. Já Telmas e Irenes, entre si, são hostis. Talvez uma tema o julgamento da outra, vai saber. Irmas, no entanto, podem ceder aos insistentes encantos das Jaciras. Existem mesmo certas Irmas que algumas Jaciras – para ódio das Irenes – juram já ter feito. Jaciras, por sua vez, não raramente invejam Irenes, que sempre aparentam certa prosperidade (ao contrário das Telmas), com um cotêzinho decadente. Irenes mais neuróticas gostariam, de vez em quando, de serem confundidas com Irmas. E Telmas costumam sentir cegos, súbitos impulsos de desvendar suas almas abissais para os ouvidos compreensivos e ombros amigos das Irenes. Na verdade, Telmas, Irenes e Jaciras invejam um pouco aquela impressão (nem sempre verdadeira) de pureza que toda Irma passa. Assim como se estivesse por fora de qualquer grupo de risco.

A propósito, já que abordamos esse desagradável tema: embora aparentem ser as mais perigosas, no que se refere a riscos, e apesar de promíscuas (a promiscuidade está implícita na jacirice). Jaciras cuidam-se muito. Verdade que com camisinhas nacionais, daquelas que arrebentam na hora H, na primeira golfada. Irenes sempre carregam na frasqueira sortido estoque de poderosas camisinhas estrangeiras, compradas em suas viagens. Com a idade se tornam um tanto maníacas com higiene, meio obcecadas com safe sex. Certas Irenes não fazem há anos, vivem em permanente estado de nervos. Já as Irmas como não fazem, ou quando fazem é tão escondido que ninguém sabe dizer como fazem, não se preocupam com isso. O problema, novamente, são as Telmas. Impulsivas e atormentadas, nunca estão prevenidas. Jamais podem prever quando passarão do quarto uísque ou da décima quinta cerveja, e isso normalmente acontece em horas que as farmácias estão fechadas. Telmas, portanto, não carregam camisinha. Sequer as têm no banheiro, tamanha a negação. Enlouquecidas na cama (uma Telma com tesão vale por cem Jaciras), Telmas fazem coisas que Madonna (ídolo das Jaciras) duvidaria. Essa representa outra secreta tortura mental das Telmas: como às vezes realmente não lembram do que fizeram (por lapso etílico), têm sempre rabo preso e um medonho medo de serem positivas.

Irmas sempre são negativas. Ou aparentam ser. Acontecem surpresas, pois ser Irma não significa necessariamente ser casta. Irenes via de regra lidam bem com um teste positivo: espiritualizam-se, viram vegetarianas, zen-budistas, fazem ioga, procuram o Santo Daime ou Thomas Green Morton. Lêem muito Louise Hay, e até se recusam a tomar AZT. Jaciras muitas vezes negam-se decididamente a fazer O Teste: têm uma certeza irracional de que daria positivo. O que nem sempre é verdade, visto que nada mais forte que santo de Jacira.

Vírus e suas saias-justas sem nesga à parte, na verdade a AIDS não mudou muito o comportamento das quatro. Elas são arquetípicas, atávicas, eternas. Freud, por exemplo, na opinião geral era irmésima. Já Platão parece ter sido uma boa Irene. Ninguém colocaria em dúvida a jacirice de Oscar Wilde. Rimbaud, por sua vez, dá a impressão de ter começado como Jacira (quando chegou a Paris) para transformar-se – o que é raro – em Telma (na Abissínia). Já Verlaine, teria sido uma Irma que se ajacirou. Clássicas ou contemporâneas, nenhuma delas deve ser criticada por isso. À sua maneira, cada uma busca apenas essa coisa – o Amor: a Ancestral Sede Antropológica. O que pode acontecer (vide Rimbaud e Verlaine) são transmutações: Irenes que se ajaciram; Irmas (com tendência etílica) que viram Telmas; Telmas que – bem comidas – se irenizam ou mesmo ajaciram e etc. As mutações são tantas quanto as do I Ching. Há quem diga que essas novas têm até nome, como as Juremas (Jaciras que se tornam Irenes) ou Jandiras (Jaciras exacerbadas tipo Clóvis Bornay).

Pode ser. Mas segundo nossos estudos, Jacira que é Jacira nasce Jacira, vive Jacira, morre Jacira. No fundo, achando o tempo todo que Telmas, Irmas e Irenes não passam de Jaciras tão loucas quanto elas.
E talvez tenham razão.

2.3.06

Ja sobre a gripe aviaria, um espertinho por aqui ja comecou a vender mascaras. £ 10 a caixa. Todo mundo Michael Jackson!

(alias, alho e bom pra gripe, a ordinaria, ne?)

E por falar em vampiros, alho aqui e uma coisa polemica. As pessoas nao usam. E eu penso: COMO ASSIM? Como assim cozinhar sem alho e sem cebola? (E sem salsa, sem louro, sem tomilho etc.).

Mas e assim. E toda vez que eu resolvo pilotar o fogao todos os narizes detectam um cheiro alienigena no ar. E dizem: "Voce andou cozinhando, nao e Gabriela?". E dao risadinhas.

Ha ha ha? E quem e que come spaghetti com torrada? Macarrao com batata frita? Penne com cha?

Vampyr acabou de entrar pra minha galeria de filmes que me dao MUITO medo. Droga. Deixei meu Sheridan Le Fanu em casa. :-/

1.3.06

Momento pinto no lixo. Nevando PENCAS. Meu knowledge sobre neve e nulo, mas ela nao esta em floquinhos. O que me faz sentir em casa. Porque parece aquelas bolotinhas de isopor, neve de pobre. haha. Melhor que neve de sabao. Hahah.